domingo, 15 de janeiro de 2012

Lisboa

Quero correr pelas praças feitas de liberdade, deambular pelas avenidas ortogonais cheias de vida, e pelas irregulares também. Quero conhecer as pessoas do comboio, do metro e dos autocarros. Quero ver bocados de diferentes cantos do mundo mesmo ao meu lado. Quero estar mais próximo da minha comunidade, e conhecer as outras. Quero contemplar a diferença que se reproduz saudável, sem limites nem censuras.

Quero ver oportunidades a passar, e apanhá-las. Quero aprender, encher a minha mente com o que a humanidade tem de mais sábio e interessante, e saborear novos conhecimentos.

Quero respirar os jardins, tocar nas estátuas, abraçar as árvores e estudar na relva fresca. Sentir a paz da natureza, carinhosamente protegida e cuidada pelo ser monstruoso que mais a destruiu.

Quero apreciar a arte que tenta fugir das molduras e das vitrinas dos museus, que teimam tanto em prendê-la. E também a arte que se libertou, que corre desenfreadamente pelas ruas e que invade como um agradável parasita todos os recantos e praças. Quero surpreender-me com as coincidências e os acontecimentos insólitos que atiram mais um bocadinho de cor para a tela do nosso dia.

Quero estranhar os edifícios de arquitecturas ousadas, temíveis e loucas. Quero viver um pouco do passado, que se continua a desenrolar vagarosamente nas emblemáticas lojas que o tempo não mudou. Quero reflectir-me nas montras, que compõem os rés-do-chão dos prédios imponentes, de típicas fachadas direitas. Quero conhecer os mundos que se escondem discretamente atrás das janelas ritmadas. Quero subir aos gloriosos terraços de onde se vê o mar de telhas de barro, salpicado de antenas parabólicas e estendais destemidos; e onde se assiste ao mergulhar do sol no Tejo, todas as tardes cor-de-laranja.

Quero enjoar-me do amarelo brilhante omnipresente da noite, que torna o céu negro tão acolhedor e confortável como o nosso lar. Quero enlouquecer com os ritmos e cores que festejam às altas horas, sem precisar de dormir.

Quero pertencer à dinâmica rede de vida que se entrelaça em nós, que nos quebra a rotina, e nos faz sonhar.

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