segunda-feira, 29 de setembro de 2014

por favor pára

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domingo, 28 de setembro de 2014

Lexívia!

Talvez não haja erro mais silencioso na Língua Portuguesa do que as vogais que se trocam. Estas ambiguidades nascem normalmente por alterações na pronúncia, e muitas acabaram por tornar-se neologismos e ser aceites como correctas.

É algo que me fazia particular confusão, e por isso decidi esclarecer algumas das dúvidas mais frequentes, pesquisando na Internet em sites fiáveis como o Ciberdúvidas. Devia ter feito webgrafia, mas não pensei nisso na altura… De qualquer forma, as conclusões:

Omeleta, Omoleta ou Omelete?

No Português do Brasil, à semelhança das palavras equipe e marionete, diz-se omelete. Em Portugal é omeleta. No entanto está a popularizar-se a utilização de omoleta, e crê-se que possa vir a integrar os dicionários.

Controle ou Controlo?

Controlo é a forma correcta. Esta é uma das palavras com origem no francês (contrôle), cuja vogal final se alterou. Outro exemplo é bicicleta (bicyclette).

Avalancha ou Avalanche?

Ambas as formas estão correctas.

Ansaime, Ansaimo, Açaime ou Açaimo?

Açaime é a forma padronizada, sendo também possível utilizar açaimo, açame e açamo. Não há nenhum n na palavra e é incorrecta a nasalação da primeira sílaba.

Lexívia ou Lixívia?

A palavra lexívia com E não existe. Lixívia é a forma correcta.

Impacte ou Impacto?

Já houve quem sugerisse que impacto se referia à colisão física entre dois corpos e impacte fosse uma palavra semelhante a consequências ou efeitos, mas não há nenhuma especificação semântica que distinga as duas palavras. Note-se que a palavra impacto pode ser utilizada como nome e como adjectivo, enquanto que impacte funciona sempre como um substantivo.

Sobresselente ou Sobressalente?

Ambas as formas estão correctas. No entanto, sobressalente é mais usado no Brasil e sobresselente é mais usado em Portugal. Também está correcta a grafia sobressaliente.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

memória // matemática

O bem mais precioso que tenho é a memória. Por mais que a minha insignificante história se possa pendurar em três ou quatro datas e locais, nada terá para mim mais valor do que os pensamentos que me deixaram acordado, os actos que errei e as pessoas que admirei. Se dizem que o bater de asas de uma borboleta pode causar um maremoto no outro lado do mundo, então todas as pessoas que existiram foram importantes, e o esboço de História que tentamos escrever nos livros nunca passará de apenas matemática...

quarta-feira, 2 de julho de 2014

E o autocarro parou...

Manhã enlatado no autocarro para a Estação de Coina. Oscilava entre o trabalho no computador e o sono, frustrado pelas interrupções que me causava. Foi nos caminhos de mau asfalto e sol ardente por entre o pinhal, quando já se via o reluzir dos vidros do oásis da gare e os carros estacionados já preenchiam a berma, que o autocarro parou. Parou mesmo antes da última rotunda, incapaz de percorrer a última centena de metros. As cabeças ensonadas levantaram-se e sorriram levemente, enquanto o motorista tentava reavivar o motor. No silêncio sem eco do espaço trespassado pelo sol puro e baixo da manhã, disseram "Vamos a pé!". Sairam. Iniciaram a micro-epopeia.

Eram três minutos de uma subida ligeira, até ao monumento. Em paralelo à escalada, o comboio penetrava na cena, rectilíneo, e aterrava lentamente na estação, pronto para nos receber.

Os corpos deixaram, por poucos minutos, de ser módulos coloridos e encaixados, para povoarem a paisagem estéril com as suas posições aleatórias e as suas diferentes formas de andar. Pela primeira vez em muito tempo, aqueles corpos andaram sem nada entupir. Cansados, divertidos, indignados, energéticos, fascinados ou indiferentes. O sol, paternal, observava a migração da tribo moderna, que reaprendia a deslocar-se. Tinham saudades de ver a redondeza da Terra.

E eu tive um vislumbre de um mundo sem transportes, um mundo pré-veloz, um mundo onde não poderíamos caminhar ao sol na mesma direcção sem sermos comunidade e sem nos olharmos de frente uns aos outros... Quem se lembrou de um dia acelerar a vida humana?

sexta-feira, 13 de junho de 2014

♫ S'étient le soleil

S'éteint le soleil by Yelle on Grooveshark

Defini uma hora para ir para a cama e estou feliz por isso. Tenho um monte de trabalho em mãos, mas hoje vou saber fazer só uma parte e poder dormir. O meu irmão veio ter comigo. Ficou a ver-me trabalhar na minha cama, e adormeceu. Está tanto calor... Estamos ambos de tronco nu e com calções iguais. Doem-me as costas. Deito-me mesmo ao lado dele, olho para o tecto, e apercebo-me de como é bom viver. A vida é difícil, mas vai-se fazendo, disse isso tantas vezes hoje. Encosto-me à parede e encontro o fresco que procurava. Eu caminho para a organização, para uma vida arrumada e com paz, onde posso fazer o que gosto e tenho tempo para amar. Uma vida menos vítima da velocidade. E é possível! Esta é apenas uma fase transitória. É bom viver. E vai ser melhor. Aguenta, Tomás. Aguentem, amigos, porque às vezes tenho vontade de ser um só com os meus amigos. Quando isso acontece é quando me sinto melhor... =)

domingo, 8 de junho de 2014

Inércia

Inércia dos diabos...

Escrevo porque há uns tempos me perguntei: "Quais são as maiores certezas que há dentro de ti? Aquelas que não mudam nos momentos em que estás eufórico e nos momentos em que te apetece desistir de tudo e fugir...?", e na altura só me lembrei desta: gosto/preciso de escrever. Às vezes resolve as coisas. Só que depois tenho vontade de publicar aqui, porque este sempre foi o meu melhor diário, e por isso tenho medo de escrever o que não vos interesse, ou o que não fique à altura. Isto é um diário muito ambíguo, muito indisponível! Mesmo assim, talvez o prefira porque me sinto só, e aqui sei que sou lido por quem me quer bem. Obrigado.

Podia pegar numa página completamente em branco, dar-lhe um título e chamar-lhe arte, porque ia expressar o que estou a sentir agora, mas mesmo assim seria insuficiente...

Eu que sempre me entreti a produzir alguma coisa, não me apetece fazer nada. Tenho ideias... Caminhos divertidos e desafiantes que se apresentam à minha frente, ascendendo a resultados dourados. Lá ao fundo vejo um Tomás mais crescido, mais capaz, cada vez mais auto-disciplinado. Não obstante, não os quero percorrer.

Não quero dançar. Abala-me reparar nisso. Ou quero dançar, mas não quero sair da cadeira. Não é preguiça, muito menos procrastinação, é simples inércia, polar vegetal, é muito diferente. É ter um mau-contacto cá dentro que me impede de funcionar. Estou desligado. Estou com o espírito em pausa, e a cor temporariamente indisponível. Quero dormir, mas dói-me ir para a cama sabendo que não fiz absolutamente nada.

Que agonia.

domingo, 4 de maio de 2014

experimentar...

vou cair...
dormir hora e meia, que é um ciclo de sono,
amanhã há mais.
faço no caminho.
no caminho vou dormir.
não pode ser.
logo se vê...
fiquei com o branco na cabeça,
o branco daquele texto da minha amiga
que desvanecia...
também ela estava a cair
quando o escreveu.
espera!, antes de ires,
eu sei que não gostas nada de versos...
mas vai experimentar.
se queres ser designer tens que experimentar.