terça-feira, 25 de setembro de 2012

minimalismo

Minimal seed-pod.

dizia a minha professora de história da arte, pessoa que nos abriu mil portas e horizontes, que não lhe agradava tanto o minimalismo. que lhe incomodava a frieza, o rigor e a matemática. nunca imaginei que existisse esta opinião. sempre se me mostrou tão inocente, doce.

nada há mais inofensivo que um quadrado rodeado de espaço. nu de todas as artes que o mundo usa para pedir a nossa atenção em todos os sítios e em todos os momentos. leve no espaço, exterior ao tempo. às vezes precisamos de um refúgio no imutável. manhã. tranquilidade de tudo estar no lugar. inócuo por ser incapaz de nos ferir os sentidos. transparente. conhecido. puro.

sábado, 1 de setembro de 2012

Contrastes de Literatura

Estava eu abstraído a ler contos interessantíssimos de um amigo e de uma amiga (dos quais falarei aqui se os autores me permitirem), quando reparo no meu livro de Português do próximo ano na secretária. Delicioso sabor da antítese que se liberta no ar!


Há que elogiar as capas da Lisboa Editora / Raiz Editora - são muito esclarecedoras do conteúdo do livro. Neste caso é muito fácil de entender: Mensagem + Lusíadas. Que pluralidade estupenda!

sábado, 31 de março de 2012

Excesso de Realidade

Doentio vício de descrever os bons momentos através do texto; de tentar capturar e guardar para sempre todos os sentimentos, pormenores, cores, cheiros e sabores daqueles acontecimentos mágicos que me custa a acreditar ter vivido, como se as memórias não fossem mais que suficientes... Desespero na busca de palavras; sacrifico algumas para satisfazer a sede de possuir outros sinónimos. Debruço-me perigosamente no precipício do que é descritível, arrisco-me a tentar descrevê-lo, quase caindo no abismo da frustração. Sem me preocupar vou corroendo a imaginação, tão débil, gemendo a um canto, e que há muito desistiu de sonhar. Nunca sonho. Obceca-me a realidade. Enjoa-me a ficção.

segunda-feira, 12 de março de 2012

O trinco do portão aberto

Sempre foi o cão mais lindo do mundo, mesmo quando os olhos, já encovados, se encheram de ramelas; mesmo quando o pelo cadente se cobriu com chagas; mesmo quando as moscas se tornaram para ele a única presença fiel... Sofreu.

Agora vejo o trinco do portão aberto - aquele frágil portão improvisado que, injustamente, lhe devia vedar o acesso ao jardim seco - e olho à volta. Lá está tudo, igual: as mesas, pintadas de pó castanho, rodeadas das cadeiras franzinas e enferrujadas; os vasos e canteiros abandonados, onde uma verdura efémera passa despercebida; um tronco ou outro a servir de banco, e algumas mangueiras jazendo no chão de mármore quebrado e gasto. Vejo aqui uma natureza morta, que perdeu a pouca vida que lhe restava. Completamente estéril.

Arrependo-me dolorosamente das tantas vezes em que cedi ao irritante e repetitivo “não lhe faças festas”, ou das outras vezes, em que a pressa para chegar a lado nenhum me fez passar-lhe ao lado.

Confortou-me vê-lo ser coberto de uma terra clara e macia. De volta ao solo e ao ciclo da vida. Finalmente aconchegado, e abrigado do frio de cá fora. Terá o destino que desejo para mim próprio - fertilizar um pouco e, com sorte, fazer brotar uma árvore bonita neste mundo de cimento.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ganhei um prémio literário!

Sempre soube que gostava de escrever, mas por esta não esperava. As minhas deambulações ocasionais pelo mundo das palavras não resultaram em mais do que um pequeno Belogue, que julgava não ter grande interesse.

Tinha já começado a escrever um conto infantil, floresta espinhosa por onde nunca me tinha aventurado, quando alguém muito teimoso decidiu insistir comigo diariamente para que o terminasse e enviasse para o concurso do Prémio Literário Correntes D'Escritas / Papelaria Locus.

Muitas semanas depois, recebo um telefonema de um número desconhecido, dizendo com toda a inocência e simplicidade "Era só para informá-lo que ganhou!". Saltitei de alegria no banco do carro.

Assim sendo, no último sábado, 25 de Fevereiro, fui à Póvoa de Varzim, tendo oportunidade de dar uma curta espreitadela na majestade da Cidade Invicta, sólida como rocha, debruçada sobre o mar sem medo de cair; e de apreciar uma agradável viagem no Metro mais evoluído do país.

Fui muito bem recebido, senti-me mesmo bem!

Agradecer, explicar porque acho difícil escrever para crianças, e alertar toda a gente que o programa da disciplina de Português nos dias de hoje despreza completamente a escrita. Mission accomplished!

Esta azáfama de parabéns e elogios teve as consequências positivas de me incentivar ainda mais a escrever (esperem um aumento da massa de posts no Belogue), e de me relembrar que também eu Quero Ser Escritor! No entanto, teve a consequência negativa de me deixar estupidamente vaidoso por alguns dias. *dou um estalo em mim próprio*

Entretanto, a minha arqui-inimiga (cujo nome não deve ser pronunciado, pelo que a vou designar pela "palavra P") não se deixa vencer, e volta a investir com os seus cruéis truques psicológicos, causando-me um incrível desinteresse pelos regulamentos de concursos literários, que, por magia, começaram a chover à frente dos meus olhos.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

À conversa com um romeno

À noite, esperando por um autocarro que nunca antes apanhara, vindo a uma hora longínqua, um romeno meteu conversa comigo. "Vais apanhar o autocarro para o Montijo?"

Jovem adulto, magro, de pele muito avermelhada, quase como queimada pelo sol, e de uma beleza muito peculiar e madura, inteirou-me mais tarde que tinha 23 anos.

Poucos minutos foram precisos depois dessa pergunta para eu desligar o mp3, e para ele se sentir completamente à vontade para conversar comigo sem rodeios. E falou, falou, falou... Resumiu-me toda a sua vida, como um idoso solitário que finalmente encontra uma alma disponível para o ouvir. E era uma história realmente interessante. Mudei-me para o banco imediatamente ao lado do dele.

Falou-me do trabalho duro que levava na construção civil, das namoradas e das traições, da sua confiança, que não podia dar a ninguém, e de como eram injustas as ideias que as pessoas formulavam sobre ele sem o conhecerem. Mostrou-me uma fotografia de infância. Deu-me um conselho "como se fosse para um irmão". Exibiu, com a deliciosa inocência de uma criança, a quantidade de brigas em que já estivera envolvido, todas devidas a mais injustiças, e o facto de nunca se ter acobardado. Magrinho, mas forte, dizia. Deixou claro que só queria ser aceite, e que as pessoas não olhassem para ele de forma indiscreta na rua.

Ele não me conheceu. Eu conheci-o inteiramente. Quando olhei para o painel de partidas do terminal, o meu autocarro já lá não aparecia. Mas valeu a pena tê-lo perdido. É uma pessoa com que eu gostava de poder falar mais vezes.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cumprimentos: O Olhar

O nosso cumprimento é um olhar.

Não há necessidade de nada dizer, de nada tocar, de nenhum músculo mover. Longas conversações se dão naquela metade de segundo em que os nossos olhos se encontram.

Um olhar que antes já fora um desespero inquietante e irracional por nos conhecermos melhor, por desvendarmos a personagem misteriosa que se oculta por detrás daquela pele. Um olhar que se mantém intenso como da primeira vez, mas que agora reflecte uma serena e consciente confirmação de conhecer o mais íntimo da mente do outro, e que segura com firmeza a estranha e perigosa confiança que automaticamente se ergueu entre nós. "Sei quem és."

E dia após dia nada mais se passa. Apenas esta subtil telepatia silenciosa, de vez em quando salpicada de meia-dúzia de palavras inúteis.

Não há mais nada para acontecer. Nada mais pode acontecer.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Falsa Dicotomia da Vida

Costuma-se dizer que a vida tem altos e baixos. Isso toda a gente já sentiu, mas esquecemo-nos que também passamos por muitos períodos neutros. Sei que a maior parte dos seres humanos não concordam comigo, mas para mim estes últimos são os piores.

São períodos cinzentos, em que caímos na rotina. E cair na rotina é desperdiçar tempo de vida. Nada pior que isso!

Perguntam-me então se não prefiro estar na normalidade em vez de estar a sofrer... Pois então sou um romântico! Sem problemas, sem altos e baixos, sem emoções, sem obstáculos grandes para ultrapassar, sem uma boa dose de diferença salpicada pelos dias... qual o interesse de viver?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Parlamento dos Jovens - Eleições à tuga

Nas escolas portuguesas tem-se o hábito de tornar as eleições, quer para a Associação de Estudantes, quer para o Parlamento dos Jovens, em autênticos arraiais. Exceptuando as eleições de delegados de turma, claro, porque esse é o único cargo disponível para os alunos em que se tem efectivamente que fazer alguma coisa. Começa a balbúrdia: mensagens de apelo ao voto em cada lista, mas totalmente vazias e desprovidas de argumentos (e até de criatividade - um simples "Vota B!" é mais que bom!) proliferam em camisolas impressas ou rabiscadas, e em panfletos e autocolantes reles. Festas, ofertas, música e barulho tentam conseguir a atenção do maior número de alunos. No dia dos sufrágios, apenas 40% dos eleitores se dão ao trabalho de esperar um minuto na fila para exercer o seu direito de voto. Típico português! Porquê criticar os adultos, se os hábitos começam logo nos jovens?

Hoje analisei os espaços publicitários de cada lista candidata ao Parlamento dos Jovens da minha escola, e fiquei deveras desiludido com a palhaçada e a falta de conteúdo que povoavam os placards. (A má ortografia também me preocupou, mas isso hoje em dia é altamente discutível...)

O Parlamento dos Jovens deste ano propõe, através das redes sociais, combater a discriminação (para os alunos do Básico) e fomentar a participação e a cidadania (para o Secundário).

No entanto, em ambos os níveis de ensino, a palavra que impera é "discriminação". E assunto não passa desta porta inicial - não vi uma única definição da palavra, nem sequer uma breve pesquisa sobre os grupos da sociedade que são hoje alvo de discriminação.

As cartolinas coloridas focam-se apenas em dizer que a discriminação é muito má e muito feia, e que temos que acabar com ela, e é por isso que deves votar em nós e não nos outros! Cada vez está mais na moda dizer-se que não se é racista. Os racistas são estúpidos! Uma hipocrisia pegada. Até eu sou racista, às vezes, mesmo tentando contrariar e extinguir os preconceitos que tenho.

O único material publicitário em que encontrei algo mais claro foi o da Lista A do Básico - uma carolina que, de forma [relativamente] bem persuasiva, nos lembrava que o presidente da maior potência mundial é negro, que a mulher mais rica do mundo é negra, que o homem mais rápido do mundo é negro, e por aí. E que não devemos odiar as pessoas pela cor da pele. Pessoal, estamos em que século?! Não quero ser desmancha-prazeres, mas se querem lutar contra o Apartheid, já vão muito atrasados!

Nada podia explicar melhor o meu ponto de vista do que este genial sketch do Estado de Graça:

Falta perguntar - quantos destes aspirantes a políticos tugas não têm aversão aos brasileiros, ou aos ucranianos, ou aos russos, ou aos romenos, ou até aos espanhóis (em casos mais extremos)? Quantos não chamaram "mongoloi*e" àquele colega com uma deficiência mental? Quantos não gozaram com aquele colega obeso, e com o outro colega, que era um rapaz mas lhes parecia uma rapariga? Quantos não se afastaram de um cigano na rua? São imensos os grupos que sofrem de discriminação hoje em dia, mas desses não lhes convém falar.

Repare-se ainda no título de uma das campanhas - "Contra a Discriminação nas Redes Sociais". Toda a gente sabe que é importantíssimo combater a discriminação dentro das redes sociais, porque fora delas já não faz mal, certo?
Toda esta falsa cidadania e propaganda fácil, a ausência de argumentos e de reflexão sobre os assuntos propostos e a banalidade das ideias conseguidas levam-me a pensar que os meninos só querem é poder fazer barulho no átrio, e experimentar sentar o rabinho nos assentos da Assembleia da República.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Lisboa

Quero correr pelas praças feitas de liberdade, deambular pelas avenidas ortogonais cheias de vida, e pelas irregulares também. Quero conhecer as pessoas do comboio, do metro e dos autocarros. Quero ver bocados de diferentes cantos do mundo mesmo ao meu lado. Quero estar mais próximo da minha comunidade, e conhecer as outras. Quero contemplar a diferença que se reproduz saudável, sem limites nem censuras.

Quero ver oportunidades a passar, e apanhá-las. Quero aprender, encher a minha mente com o que a humanidade tem de mais sábio e interessante, e saborear novos conhecimentos.

Quero respirar os jardins, tocar nas estátuas, abraçar as árvores e estudar na relva fresca. Sentir a paz da natureza, carinhosamente protegida e cuidada pelo ser monstruoso que mais a destruiu.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Injusta sorte!

Sou uma pessoa podre de sortuda. Tenho tanta sorte que não cabe num indivíduo, chega a ser injusto!

Sei que nunca ganharei a lotaria, e que perco a maior parte dos jogos, e é essa a definição que a generalidade das pessoas tem da sorte. Eu tive uma sorte diferente, aquela que me permite humildemente considerar-me uma boa pessoa.

A sorte de ter nascido de pais fantásticos, que me souberam educar sem me baterem, que me tornaram uma pessoa cívica e consciente.

A sorte de cedo ter aprendido a escrever sozinho, e de sempre ter tido facilidade na escola.

A sorte de ter conseguido vencer o bullying, e de me ter blindado a ele (à prova de bala!).

A sorte de ter conhecido pessoas fantásticas. Bondosas, altruístas, sorridentes, inteligentes... Pessoas que considero meus ídolos incondicionalmente (e que se lixem as  "Ignaras Vedetas" da televisão, que não preciso delas!).

A sorte de os meus pais e (quase) toda a minha família terem aceite muito bem a minha orientação sexual, e de viver numa zona muito rural onde, por obra e graça de qualquer coisa, não vi ainda homofobia.

E isto me chega para ser mais-que-feliz.

Apesar disso, divago muitas vezes num dilema que me frustra. Não é injusto, algumas pessoas terem mais sorte que as outras? Não é injusto uns terem a vida mais facilitada? Todos devíamos nascer com a mesma sorte, e tudo devia depender dos nossos esforços e dedicação apenas. Devia haver justiça. E se calhar devíamos ser nós a criá-la (ideia muito perigosa!)... Mas isto tudo não comprometeria a preciosa diversidade humana que tanto venero?

Fico-me por ajudar os outros. Sinto que é meu dever retribuir ao mundo, ou a não-sei-quem, a sorte que me deu. E aposto que a Margarida Fonseca Santos também partilha deste sentimento, o que me reconforta. Preciso de ajudar. É esta a forma que tenho de equilibrar o mundo como posso. Afinal, sempre pode ser o ser humano a criar essa tal justiça... :-)


(E assim começo a considerar a possibilidade de ser agnóstico...)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O porquê deste blog

Quase três anos depois de ter começado este blog, achei que estava na hora de fazer um balanço, e esclarecer algumas coisas.
Um dia decidi criar um blog contrário ao do meu professor de CFQ, Pedro Ribeiro. Ideia maluca. O blog dele era muito fixe e chamava-se Trelogue, e a sua descrição era "BLOGS FORA NADA", e o visual era todo preto, minimalista e secante (com o tema "Minima" do Blogger), e tinha um contador de visitas amarelo.
Por isso é que este blog se chama Belogue, e a descrição é "TRELOGUES FORA NADA", e o visual é branquinho, minimalista e secante (com o tema "Minima" do Blogger), e tem um contador de visitas amarelo.


Um dia ele inalou um pó estranho no laboratório da escola, deu-lhe um ataque e decidiu apagar o Trelogue e os quatro ou cinco anos de publicações interessantes que lá residiam. "Porque sim...", disse-me ele, de uma forma que não era muito própria do Pedro Ribeiro. A blogosfera devia ter feito luto nesse dia. É vida...
Agora já não faz sentido este blog chamar-se Belogue, e a descrição ser "TRELOGUES FORA NADA" e o visual ser branquinho, minimalista e secante (com o tema "Minima" do Blogger), e o contador de visitas ser amarelo.
Por favor, eu estou em Artes Visuais! Apetece-me inundar este branco todo de cores e dos meus elementos visuais preferidos. I wanna get creative! Ainda por cima tenho experiência em webdesign, o que me permite pôr esta porcaria toda da forma que me apetecer, sem limites!
E também estou a pensar em trocar o título, que é mesmo desinteressante!
REVOLUÇÃO NO BELOGUE!!!
(Compram-se ideias - por favor, negoceie nos comentários.)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Batalha Na Casa-de-banho II

Ainda não desapareceram. :(
Mas hoje é de vez, é desta que elas caem todas "morridas" no chão e eu me rio maleficamente com prazer! Elas vão ver!!!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Batalha Na Casa-de-banho

Ponho a solução alcoólica pegajosa em cada borbulhinha irritante da minha cara, com paciência, mas com mais fé que nunca. É desta que elas vão desaparecer todas, de hoje para amanhã!
Já perdi dias de vida a pôr a maldita e milagrosa solução, e tenho uma relação de amor-ódio com ela. Já sofro da face há alguns anos, e há várias semanas que faço jejum de chocolate, por acreditar que a doçura deste divino alimento tem um preço elevado para a cara do consumidor.
Desta vez elas vão ver! Vou aniquilá-las todinhas, não vai restar nem uma, e depois vou dançar por cima dos desprezíveis cadáveres das malditas protuberâncias, rindo maleficamente! E depois vou deitar fora a maldita solução alcoólica, que nunca mais vou precisar dela! E ela vai sentir-se horrível por ter sido usada!
Eu vou ganhar esta batalha e mandar para o inferno todas as porcarias que alguma vez me atormentaram a cara! REVOLUÇÃO!

Inspirado no humor de Pedro Ribeiro, na brutalidade e força da Nêspera e nas personificações criativas da Margarida Fonseca Santos. Motivado por um infortunado espelho que se pôs à minha frente na casa-de-banho.

terça-feira, 26 de abril de 2011

AAAAAAAAAAH!!! :D

Olho à volta e não há um único objecto, uma única pessoa, um único pensamento que emane maldade, ou o mínimo negativismo. Ninguém disse absolutamente nada mesquinho hoje.

Tudo é bonito. Cada imagem que vejo é mais bonita que a anterior, cada dança que sinto é mais impressionante, cada música que me possui é mais forte e sumarenta. À minha volta tudo está encharcado em criatividade, a essência da vida. As cores abundam, vivas e brilhantes, e os sorrisos brotam com a Primavera das caras. As palavras fluem como um rio de água fresca.

Há tantos motivos para rir e rebolar até os pulmões explodirem.

Só falta criar uma imagem para mostrar o que sinto (o verdadeiro propósito da arte), mas o meu diário gráfico é todo a verde e preto. Apetece-me pegar num bocado colossal de papel de cenário e salpicá-lo de tintas alegres, riscas diagonais, triângulos que se movem euforicamente em cores que nunca existiram, alegria, muita parvoíce e... VIDA!

Quero gritar sem qualquer sentido, neste mundo a lógica não faz falta! É difícil acreditar em qualquer coisa, é tudo tão irreal!

E juro que não estou sob o efeito de drogas.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Estou numa conhecida e frequentada praia da Arrábida a apanhar um banho de sombra. O areal está quase deserto.

Parti de uma terra aqui muito perto, a 12 Km deste mar. Calquei a lama e as pedras calcaram-me os pés. Afastei ramos pequenos e segurei-me em ramos maiores. Escorri pelas encostas e a chuva escorreu por mim. Vesti e despi o impermeável ao sabor da guerra entre a água que caía e o sol que aquecia. Cheguei ao cheiro do mar e da comida dos restaurantes. Limpei os sapatos e as mãos na areia e nos seixos, ficaram como novos. Abanquei no chão macio e escrevi este texto.

Depois  de escrever este texto, chegaram as outras pessoas, que partiram da terrinha uma hora mais cedo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Recién Casadas

Não as conheço. Estava no topo da falésia quando vi um casal a escrever na areia. Quis ler, mas estava muito longe, por isso peguei na máquina fotográfica e... Wow, Parabéns!

Que raiva!

Não me estou a conseguir adaptar. Eu vivia numa democracia profunda, onde cada decisão era tomada por todos. A "autoridade" não fazia nada sem nos perguntar a opinião primeiro (por isso hesito em chamar-lhe "autoridade"). O nosso pequeno mundo era construído por todos, e a necessidade de igualarmos os que tinham mais experiência motivava-nos a evoluir, em ideias e conhecimentos.

Agora tudo é uma ditadura rígida. Quem manda são aqueles dois ou três, e os outros calam-se. Calam-se literalmente, pelo menos é o que eu faço para evitar dificuldades... Estava habituado a ter o meu próprio ponto de vista sobre as coisas, mas, a muito esforço, tenho que conseguir ignorá-lo. E como ninguém tem que se esforçar, apenas cumprir as ordens, ninguém aprende nada. Não há volta a dar, sou demasiado pacífico para...

Mas se a inteligência é a capacidade de adaptação, eu quero adaptar-me. Ou não?

quinta-feira, 31 de março de 2011

O Verão

31 de Março, o início do Verão!
Ah, como eu gosto do Verão! O sol brilha tão bonito e tão mortífero... Os seus raios chegam até nós, e acariciam-nos a pele frágil, num toque áspero que queima tudo à sua passagem. O ar quentinho aconchega-nos no seu abraço demasiado apertado, e deixa-nos a pele embebida num maravilhoso líquido, pegajoso e fedorento. E a cereja no topo do bolo é a roupa encharcada no mesmo líquido, para nos refrescar!
No autocarro os corpos enlatados aquecem-se um pouco mais. E ao sair o sol proporciona-nos outra experiência agradável - os músculos da cara encolhem-se como uma almofada mirrada, as pestanas cobrem os olhos e não se consegue ver bem - é tão engraçado... Podermos sentir-nos quase na pele de um cego...
Só é pena a escola não permitir irmos à praia, para nos congelarmos na água gélida.
Ainda mal chegou o Verão e já estou ansioso pelo Ouforno! E só faltam 6 meses para o Inferno! Yay!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Hoje desço os degraus da escola um a um. Não rio com as mesmas piadas de sempre, com o mesmo assunto de sempre, aquele que nunca se gasta. Não digo "Hello", nem tenho sorrisos para distribuir, mesmo que sejam interiores.
Espero que ele fique bem depressa... Não quero que a última recordação que tenha de mim seja o facto de me ter esquecido do seu aniversário.
Sinto-me horrível.